Perene

terça-feira, outubro 18, 2005


Vivo desde 2001
numa casinha na parte antiga de uma terreola junto ao Tejo; sitio que concebi para que eu tivesse o espaço físico e mental para fazer os meus trabalhos (que requerem mesmo muito espaço e tempo).


A casa em questão é uma casa com mais de 100 anos que foi dividida em duas parcelas por uma parede de tabique. A parcela adjacente à minha foi recentemente vendida. Os novos proprietários além das obras insólitas que põem a minha casa em risco de colapso têm tido uma postura ainda bastante mais insólita.
Primeiro, o proprietário, que é quem está a fazer as obras propriamente ditas,em part-time, ou seja fora das horas normais de trabalho e aos fins de semana.
Segundo, começou por demolir o telhado que é comum às duas casas e que segundo a lei deveria ser preservado pois é obrigatório preservar as características arquitectónicas daquela zona. Assim expôs uma parede de tabique com mais de 50 anos que é a barreira entre a minha casa e o céu aberto.
Terceiro, o seu objectivo é cortar uma das vigas de apoio do telhado( que suporta inclusive o meu) para poder levantar a empena de um dos lados do telhado e colocar uma telhado préfabicado da empresa Cimianto, ficando este com um declive de 4 graus, que é certamente o indicado para uma cobertura plana e não para um telhado como o referido.
Quarto, e mais importante, este senhor não tem qualquer projecto aprovado, licenças ou sequer seguros para efectuar estas obras e muito menos aptidões, noções ou conhecimentos de construção civil e arquitectura.
O que me leva ao desespero de vos escrever é a situação em que esta mesma pessoa me está a colocar. Sou obrigada a deixar a minha casa sempre que ele e quem o possa acompanhar( isto a qualquer hora ou em qualquer dia de semana ou fim de semana) vão para a obra fazer o que quer que seja, pelo barulho e muito mais importante pela insalubridade que causa na minha casa.
Nos últimos dois meses tenho que viver com os meu moveis, mesas de trabalho, cama, roupa e tudo o que tenho tapado por lençóis e sempre que chego a casa tenho que efectuar as respectivas limpezas em vez de fazer o que deveria. Que seria, preparar a minha refeição, estudar e fazer os meus trabalhos da faculdade que garanto que já me dão trabalho suficiente.
Mesmo com as minhas tentativas de fazer compreender ao senhor em questão a instabilidade que me está a causar ele insiste que me "está a fazer uma favor"( isto mesmo quando leva os seus alunos da canoagem ao domingo para brincarem às obras, deixando jovens entre os 10 e os 16 anos sozinhos num cenário muito pouco próprio e inseguro como fez no passado domingo 16 de outubro).

Estou cansada de não poder Habitar na minha casa como uma pessoa normal. Eu, juntamente com a minha família já fizemos esforços de protesto junto à Câmara Municipal e mesmo junto á GNR local. Posso acrescentar que tudo o que foi feito até ao momento foi oferecerem-me um copo de água com açúcar para me acalmar. Mais insólito que isto desconheço!
Parece que este senhor deve ter os seus"conhecimentos" e está a cima da lei, do senso comum, da moral e todas as regras que se aplicam a uma comunidade civilizada.

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